Sou muito observadora apesar de bem falante. Adoro ouvir a história das pessoas e acho que elas mostram muito de suas histórias através dos atos, então observo-as.
Olho os idosos, os jovens, os adolescentes, as crianças, os bebezinhos e as gestantes quase não consigo desviar o olhar. Saiu de casa parecendo uma criança que está conhecendo o mundo agora, porque afinal, estou. Em cada um existe um mundo de coisas diferentes e eu moro em um mundo chamado São Paulo.
A Ká chega a dizer que eu tenho um dom, em que as pessoas me olham e contam suas histórias rsrs. Pode ser que seja mesmo um dom quem sabe.
E nessas de ouvir as histórias, ouço várias sobre a maternidade. O jeito diferente de cada uma cumprir o mesmo designo de ser: Mãe.
Dou muita risada e choro também com as histórias, as vezes choro de rir.
O que me impressiona é que, com tantas coisas negativas que ouço sobre a maternidade eu não consigo não querer ser mãe.
Já pensei em desistir porque afinal as pessoas falam que tudo muda e que não há mais liberdade e também que eles tomam todo nosso tempo, inclusive ocupam todo o nosso salário. Já ouvi tantas vezes: Nooooossa, filho é muito caro (realmente deve ser, eu imagino só de olhar roupinhas e brinquedos, imagina escola e tudo mais).
Já ouvi a história de partos de uma forma racional e não emocional, ai ai, foi bem engraçado e também realista, essa mãe que é uma amiga de infância da Ká, disse que nunca mais na vida dela terá outro filho rs.
E aí eu tento de novo olhar as coisas pelo lado racional, pelos custos, pelo tempo, por não poder dormir até mais tarde no final de semana e nem pegar Sol na praia a qualquer hora do dia (quando formos pra lá), por ter que pensar dez vezes antes de sair quando a previsão do tempo disser que vai chover no final da tarde ( e São Paulo, todo sabe, terra da garoa). Penso que terei que gastar horrores em fralda até que desfralde e depois que sair da fralda vem a escola (mais gastos). Em nunca mais dormirmos tranquilamente, em não poder mais fazer amor a qualquer hora ou em qualquer lugar da casa. Em todos os brinquedos carézimos que enxem os olhos da criançada e aí não dá pra dizer: Não.
Eu tento não querer de novo quando penso nas crises da adolescencia, nas perguntas e respostas inexperadas que vamos receber. Ai ai, pensamos, pensamos e pensamos novamente em tudo isso. Por um momento desistimos.
Então pensamos em como nossa casa vai mudar e nossa vida também. Que eles vão acordar no meio da noite, que vão chorar quando cair, que vão rir com nossa cara de bobas e ficar morrendo de vergonha quando chamarmos de bebê na frente do amigos adolescente, rs. Pensamos que são eles que vão nos chamar de mães e nos amar, nos achar as rainhas quando chegarmos no final do dia em casa.
Pensamos que eles serão a continuação da nossa história quando não mais pertencermos a este mundo. Vão contar e viver histórias que nos farão vivas pra sempre. São eles que farão um amor incondicional nascer em nós para nunca mais sermos as mesmas.
Então quando pensamos em todo o lado negativo, pensamos que será bom também passarmos por isso porque afinal, que tipo de amor seria esse se não tranformasse nossas vidas pra sempre?
Bjos no coração
Rê