O mês de Dezembro de 2010 foi muito importante pra mim, foi o reencontro com minha irmã.
Eu estava muito ansiosa com a chegada dela, não apenas pela saudade, mas por tudo que ela representa pra mim. Ela mora na Alemanha e decidiu viver na Europa ha alguns anos o que foi uma coisa muito boa mas ao mesmo tempo dolorosa pra mim e pra ela também com certeza.
Sempre fomos muito ligadas apesar de termos quase 7 anos de diferença de idade. Quando eu era uma criança ela já era adolescente e quando eu era adolescente ela já era adulta. Nós sempre conversamos muito, ela cuidava de mim quando eu era criança, me dava mamadeira, eu dormia com ela, ela me levou a primeira vez ao cinema (assistimos A Bela e a Fera) e chorou de felicidade quando eu fui ao Rock-in Rio em 2001 porque eu estava realizando um sonho (que meu irmão ajudou a realizar).
Me lembro que ela sempre me perguntava qual era meu sonho, o que eu queria ser quando eu crescesse. Eu muitas vezes respondia que queria ser mãe de muitos filhos, hoje isso mudou um pouquinho porque ainda quero ser mãe, porém de uma quantidade menor de filhos rsrs. E falávamos de tantos outros sonhos.
Quando morávamos todos juntos éramos muito cúmplices (ainda somos), mas ainda sim era diferente, era gostoso. Eu sabia que meu irmão dirigia em alta velocidade e sabia que minha irmã fumava quando bebia. Quando minha ex-cunhada engravidou da minha primeira sobrinha, adivinha? E juntos arrumavamos soluções ou ensaivamos como contar as coisas pra nossa mãe (em casa o terror era a mãe e não o pai, rs, meu pai é bem mais calmo).
Quando ela se mudou me ligava chorando por tantos motivos e sempre falava, não é pra contar pra mãe e na primeira visita dela ao Brasil ela me perguntou se eu já havia beijado alguma menina (ela já sabia que eu ia há baladas GLS e etc.) e eu respondi que sim com tanta naturalidade e segurança. Ela também gosta de meninas, mas tenho certeza que se não fossemos amigas talvez jamais tocariamos no assunto como alguns casos que eu conheço entre irmãos/tio/primos homossexuais. Meu irmão que é hétero também soube antes que minha mãe, apesar de minha mãe saber desde sempre (ela falou, rs).
Daqui à pouco ela volta para casa, mas existe uma benção entre tantas, que nós (ela e eu) agradecemos muito á Deus, não importa por onde andarmos, as escolhas que fizermos, o caminho que traçarmos, nada mudará a nossa condição de irmãs e de uma forma ou de outra sempre estaremos próximas.
São tantas boas lembranças, tantos acontecimentos. E por causa dessa relação entre nós e nossos irmãos é que decidimos que nosso (a) bebê terá irmãos, pelo menos um, aliás acho que só um (a), na tentativa de que eles também tenham tantas boas lembranças, aprendam a compartilhar momentos e terem um (a) grande amigo para ajudar a montar o quebra-cabeça de coisas que nossa memória as vezes esquece.
Bjos a todos
Rê
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14 de janeiro de 2011
7 de janeiro de 2011
'Casais sofrerão menos preconceito', diz mãe que teve filhos com parceira
Adriana Tito Maciel deu à luz duas crianças em abril de 2009, após receber óvulos doados por sua companheira, Munira Kalil El Ourra. Os óvulos foram submetidos a fertilização in vitro. Mas só agora o casal homossexual obteve o direito de mudar a certidão de nascimento dos filhos para incluir no documento o nome da segunda mãe. A sentença judicial saiu coincidentemente na mesma semana em que o CFM divulgou a nova regra médica.
"Achei o máximo. No nosso caso, recorremos a este método e encontramos muitos casais que estão recorrendo. Acho que o Conselho Federal de Medicina não faz mais do que sua obrigação, porque todos temos direito. Agora, tendo reconhecimento deles também, facilita muito para os casais, que tinham muitas dúvidas e sofriam muito preconceito", afirmou.
Especialista em direito homoafetivo, a advogada de Adriana, Maria Berenice Dias, também comemorou a decisão da Justiça paulista e a nova determinação do CFM. "A resolução do conselho diz que qualquer pessoa pode utilizar essas técnicas. Antes falava que era só o casal. Com certeza foi uma evolução. Em primeiro lugar, muitas clínicas estavam fazendo. Isso estava impondo que as pessoas mudassem de estado para fazer a fertilização. Com isso, quebra a resistência dos laboratórios particulares e públicos", afirmou.
Maria Berenice, no entanto, está preocupada com o que percebe como uma tendência. Para ela, o rigor dos juízes e as duras regras para adoção de crianças no país contrastam com a facilidade cada vez maior obtida pelos casais, heterossexuais ou não, às técnicas de reprodução assistida, cada vez mais baratas e de mais fácil acesso. Resultado: um contingente cada vez maior de crianças aptas para adoção abandonadas em abrigos país afora. "A lei assusta e as pessoas estão desistindo e fazendo filhos. É uma caça às bruxas, uma lei muito perversa. Há uma insistência na ideia de que o local da criança é a família biológica. Não é. Pai e mãe é quem cria e quem embala, quem a criança conhece. Precisa acabar com essa burocracia horrível", afirmou.
Decisão
No início dessa semana, o juiz da 6ª Vara de Família e Sucessões de Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, concedeu a Adriana e Munira o direito de registrar os filhos com dupla maternidade. Adriana recebeu os óvulos de Munira, que se submeteu a inseminação artificial. As crianças estão registradas provisoriamente apenas com o nome da mãe biológica. Assim como ocorre em todos os casos de fertilização, o nome do pai biológico, doador do material genético, não aparece na certidão de nascimento.
Com a concessão do mandado de averbação, que permitirá retificar o registro de nascimento, Adriana e Munira poderão procurar o cartório para fazer constar do documento os nomes das duas mães e dos quatro avós maternos das crianças.
"A gente espera por isso há dois anos e foi a melhor notícia. Vamos esperar por 15 dias para ver se haverá recurso e depois vamos poder fazer a tão sonhada certidão, com o nome da Munira", disse Adriana. Para ela, a decisão significa muitas conquistas para as crianças em termos de cidadania. "Dentro de casa não muda nada. As crianças nos chamam de mãe. Com a dupla filiação, elas passam a ser beneficiárias de tudo o que eu tenho e de tudo que a Munira tem e terão direito a tudo, igual a filhos de casais héteros", afirmou. Emocionada, ela agradeceu às advogadas Maria Berenice e Viviane Girardi, que atuaram no caso.
"Agora nós vamos rezar para que não haja nenhum recurso", disse Maria Berenice. "Entrei com a ação quando a mãe ainda estava grávida e pedi que quando nascessem fossem registradas em nome das duas. A Justiça nem decidiu isso a tempo e quando as crianças nasceram só permitiu que fossem registradas com o nome da mãe gestacional. O juiz mandou que fosse feito até exame de DNA, ficou comprovado que a filiação é mesmo da Munira e saiu a sentença, que foi publicada anteontem."
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*Acompanhamos a história das duas desde a gestação e como foi delicioso receber esta notícia.
Não poderiamos deixar passar batido.
VITÓRIA, VITÓRIA, o grito agora é de alegria, é de vitória mesmo, de êxito.
Somos iguais no amor, na dor, nos impostos, no dia a dia, no trabalho, nas compras no super-mercado, no suor, nas coisas simples e pouco a pouco seremos iguais perante a lei.
A guerra é dividida em batalhas e contra as diferenças, mais uma foi vencida.
Muita saúde, alegria, prosperidade e amor pra todas as familias GLBT'S do mundo inteiro.
Peço a Deus que derrame suas bençãos e sua sabedoria a nós todos, as autoridades e a essa familia linda que agora é "reconhecida judicialmente" pois já era uma familia mesmo antes do nascimento dos bebês.
Bjos no coração.
Rê
3 de janeiro de 2011
Um ano, muitas lições
É não tem como escapar, mas um ano foi embora.
Mas esse ano (2010) pra nós foi bem diferente, muito bom por sinal porque nos ensinou muito e mostrou o quanto é importante termos tolerância, ouvidos para OUVIR e paciência.
Tolerância: descobrimos que é necessário muito mais do que amor para mantermos um casamento feliz.
Ouvidos: para ouvir e não só para escutar, quando ouvimos aprendemos, tiramos lição e quando apenas escutamos entra por um ouvido e sai pelo outro.
Paciência: para esperar, esperar a hora certa, o momento certo. Há tempo para plantar e tempo para colher. Não há como pular fases e nem queremos, precisamos esperar e fazer as coisas acontecerem.
Eu já escrevia em outros diários: Amo os filhos que vou ter. A diferença é que antes parecia um sonho tão distante e agora não, as mamães já pensam como se vcs já estivessem chegando a qualquer momento rs.
No final de 2010 a mamãe Rê não se lamentou porque o ano vai acabar e logo será mais um aniversário e ficarei mais velha. Não, agora não me lamento mais e sim comemoro, sei que o tempo que teremos juntos é infinito perante o período que tivemos sem vcs e que nada no mundo mudará nossas condições de mães e filhos e isso me deixa feliz.
Sei que mais um ano de vida, um ano a menos de espera e isso é bom dentro de mim.
Depois que a mamãe criou o blog muita coisa legal já aconteceu. Já encontrei tantas familias legais igualzinho a nossa, estamos acompanhando todas com muito carinho e me sinto próximas delas também, familias que não são tão igualzinho mas que tem muito em comum, amor e respeito. E já recebemos vários e vários comentários virtuais e pessoalmente (por pessoas que nos surpreenderam) referente a vinda de voceis. É...pode acreditar o universo está conspirando ao nosso favor e voceis serão muito bem vindos por nós e por tantas outras pessoas queridas.
No ano de 2010 a maior lição entre todas foi a paciência: esperar o tempo certo, esperar e esperar. As mamães estão decidindo qual é o tempo certo pra voceis chegarem. Eu acho que são mais 6 anos e a mamãe Ká me surpreendeu quando falou 2 anos, porque não vai dar pra esperar tanto, é muito tempo (principalmente por vários e vários sonhos que tivemos com voceis, já aconteceu de sonharmos na mesma noite com voceis sem antes de dormir termos feito um só comentário). Então veremos ainda tá bom, mas já posso garantir que não serão 6 anos, voceis virão antes. As mamães querem antes e voceis também querem (já sabemos).
Dois comentários foram muito válidos e importantes também:
O 1º da titia Fran (mamãe da priminha de vcs, Ana Clara), que depois de uma maravilhosa conversa falou com muita simplicidade: Não compliquem, não coloquem tanto impecílio, não dá pra ter tudo o tempo todo, tenham aquilo que é necessário, mas não esperem o 100%, o tempo não espera, ter filhos é simples e todo o resto vem depois. Voceis serão mães tão boas e vão conseguir dar tudo o que eles precisam, voceis vão ver. ( A mamãe Rê se emocionou).
O 2º da titia Vi (uma amiga muito legal e importante para as mamães), ela escreveu: Com certeza essa sementinha já foi plantada em voceis, mesmo ainda não sendo um feto, Deus já plantou essa sementinha que já existe dentro de voceis.
Filhinhos mesmo sem apoio trariamos voceis ao mundo, mas, Deus em sua infinita bondade já está plantando essa sementinha do respeito, do amor em muita gente. Então agora não sou só eu que amo os filhos que vou ter: voceis já tem mais que uma familia agora é só esperar um pouquinho mais.
Que o ano de todas as mamães e futuras mamães e papais seja um ano maravilhoso e transformado pelo amor. Que 2011 seja repleto de sáude, paz, respeito e prosperidade para todas as familias coloridas ou não, que já tenham seus filhotes ou ainda os aguardam como nós.
Um beijo no coração.
Rê
Mas esse ano (2010) pra nós foi bem diferente, muito bom por sinal porque nos ensinou muito e mostrou o quanto é importante termos tolerância, ouvidos para OUVIR e paciência.
Tolerância: descobrimos que é necessário muito mais do que amor para mantermos um casamento feliz.
Ouvidos: para ouvir e não só para escutar, quando ouvimos aprendemos, tiramos lição e quando apenas escutamos entra por um ouvido e sai pelo outro.
Paciência: para esperar, esperar a hora certa, o momento certo. Há tempo para plantar e tempo para colher. Não há como pular fases e nem queremos, precisamos esperar e fazer as coisas acontecerem.
Eu já escrevia em outros diários: Amo os filhos que vou ter. A diferença é que antes parecia um sonho tão distante e agora não, as mamães já pensam como se vcs já estivessem chegando a qualquer momento rs.
No final de 2010 a mamãe Rê não se lamentou porque o ano vai acabar e logo será mais um aniversário e ficarei mais velha. Não, agora não me lamento mais e sim comemoro, sei que o tempo que teremos juntos é infinito perante o período que tivemos sem vcs e que nada no mundo mudará nossas condições de mães e filhos e isso me deixa feliz.
Sei que mais um ano de vida, um ano a menos de espera e isso é bom dentro de mim.
Depois que a mamãe criou o blog muita coisa legal já aconteceu. Já encontrei tantas familias legais igualzinho a nossa, estamos acompanhando todas com muito carinho e me sinto próximas delas também, familias que não são tão igualzinho mas que tem muito em comum, amor e respeito. E já recebemos vários e vários comentários virtuais e pessoalmente (por pessoas que nos surpreenderam) referente a vinda de voceis. É...pode acreditar o universo está conspirando ao nosso favor e voceis serão muito bem vindos por nós e por tantas outras pessoas queridas.
No ano de 2010 a maior lição entre todas foi a paciência: esperar o tempo certo, esperar e esperar. As mamães estão decidindo qual é o tempo certo pra voceis chegarem. Eu acho que são mais 6 anos e a mamãe Ká me surpreendeu quando falou 2 anos, porque não vai dar pra esperar tanto, é muito tempo (principalmente por vários e vários sonhos que tivemos com voceis, já aconteceu de sonharmos na mesma noite com voceis sem antes de dormir termos feito um só comentário). Então veremos ainda tá bom, mas já posso garantir que não serão 6 anos, voceis virão antes. As mamães querem antes e voceis também querem (já sabemos).
Dois comentários foram muito válidos e importantes também:
O 2º da titia Vi (uma amiga muito legal e importante para as mamães), ela escreveu: Com certeza essa sementinha já foi plantada em voceis, mesmo ainda não sendo um feto, Deus já plantou essa sementinha que já existe dentro de voceis.
Filhinhos mesmo sem apoio trariamos voceis ao mundo, mas, Deus em sua infinita bondade já está plantando essa sementinha do respeito, do amor em muita gente. Então agora não sou só eu que amo os filhos que vou ter: voceis já tem mais que uma familia agora é só esperar um pouquinho mais.
Que o ano de todas as mamães e futuras mamães e papais seja um ano maravilhoso e transformado pelo amor. Que 2011 seja repleto de sáude, paz, respeito e prosperidade para todas as familias coloridas ou não, que já tenham seus filhotes ou ainda os aguardam como nós.
Um beijo no coração.
Rê
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